O fim da Justiça e do Jornalismo no Brasil... Crime cometido: Ser brasileira

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A evidente podridão e decadência da que outrora foi orgulhosamente chamada de 'justiça brasileira' é ainda pouco perto da decadência de toda uma classe, também considerada, em outros tempos, com orgulho: a classe jornalística.

A brasileira Débora Rodrigues dos Santos, de 39 anos, que está prestes a ser condenada a 14 anos de prisão por decisão de Alexandre de Moraes e apoio de Flávio Dino, é o sintoma mais claro do final da justiça no Brasil.

Final claro e manifesto num país onde assassinos e traficantes recorrentes estão à solta, libertos pelos mesmos que condenam uma mulher inocente - e outros - baseados numa narrativa de 'golpe de estado' absolutamente inverossímil.

Débora está presa desde 2023, acusada, como todos sabem, por escrever com batom uma frase de outro dos ministros, o 'perdeu, mané' de Barroso em 2022.

Toda a acusação contra a cabeleireira foi lastreada em imagens feitas por Gabriela Biló, fotógrafa do jornal Folha de São Paulo que, não contente em fotografar, 'foi atrás' - segundo ela mesma, investigando a mulher e publicando, orgulhosa, o resultado desse trabalho nas redes sociais.

As imagens acabaram nas mãos dos ministros, que resolveram fazer da mulher um exemplo - como outros - e a transformaram em vítima numa narrativa criada para perseguir inimigos do sistema que representam.

A ação fede a quilômetros de distância e será fatalmente um marco nos livros de história, no capítulo 'quando a justiça desapareceu do Brasil.'

Um marco avalizado também pelo silêncio covarde e omisso de políticos - Senado e Câmara - da OAB e outros setores da sociedade.

Que também fedem.

Duas brasileiras, duas histórias: uma, presa por ser patriota e ter opinião, e outra, ganhando prêmio - como ganhou - por ter entregue a primeira nas mãos de carrascos.

A história as julgará.

Canalhas sempre serão canalhas e inocentes sempre serão inocentes, não há caneta de ministro ou ditadura que mude isso.

Não sei qual a idade de Gabriela, mas me parece jovem o suficiente para estar presente no dia em que esse sistema e seus asseclas desmoronar, e com ele sua vida, o que é de fato merecido.

Não há mal que dure pra sempre.

Por enquanto, que a fotógrafa aproveite o momento - seus quinze minutos de fama - chafurdando nessa glória duvidosa.

Mas haverá um preço pelo sofrimento imposto a inocentes.

E será pago, mais cedo ou mais tarde. Por todos.

*Em tempo: há cerca de 1 ano, a fotógrafa Gabriela Bilo lançou, no MAB, uma exposição de suas fotos do 8 de janeiro, chamada 'A Verdade'. Título sugestivo.

Foto de Marco Angeli Full

Marco Angeli Full

https://www.marcoangeli.com.br

Artista plástico, publicitário e diretor de criação.

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