A tenebrosa aliança entre PCC e CV: A nova era do crime organizado

28/02/2025 às 10:59 Ler na área do assinante

Não é de hoje que os verdadeiros especialistas em segurança pública vêm cantando a pedra de que o Brasil caminha para o caos. Aliás, nos últimos tempos o que se denuncia é que esse caos social – essa guerra urbana – é promovida pelo próprio Estado, por agentes políticos interessados na implementação de um projeto de perpetuação no poder.

Em 2012 na Venezuela, ainda na gestão de Hugo Chávez, a então ministra do sistema penitenciário, Iris Varela, soltou quase a metade da população carcerária. Assim, engordou o exército de criminosos nas ruas e fortaleceu o crime organizado. A polícia foi sucateada e engessada. Entrou o Maduro e potencializou tudo isso. Hoje, os responsáveis pela segurança pública venezuelana são os Colectivos, que são as organizações criminosas de lá.

Em poucos anos uma das maiores potências econômicas do Planeta se tornou a campeã em taxa de homicídio na América do Sul.  Tráfico de drogas, de armas, de crianças e mulheres, de órgãos – tudo isso passou a ser chancelado pelo Estado, um narco-estado.

A esquerda brasileira copiou esse modelo e está fazendo o Brasil seguir exatamente esse caminho. Só que aqui o processo foi turbinado após a eleições manipuladas em 2022 – e chegamos nessa situação macabra que estamos vivendo atualmente.

O consórcio PT/STF há anos já adotou uma política de desencarceramento enérgica, com direito a mutirões do Conselho Nacional de Justiça e Ministério da Justiça, trabalhando na análise de processos de presos objetivando progressão de regime, livramento condicional e tudo o que contribua para a soltura do detento. 

Concomitante, instituíram uma política pública criminal em que o delinquente que comete um crime sem violência ou ameaça à pessoa, cuja pena não ultrapasse quatro anos de prisão, tem o direito de responder ao processo solto. Isso significa que até o crime de furto se enquadra nessa impunidade generalizada. É por isso que a polícia enxuga gelo, pois ela prende e a Justiça solta.

Nesse contexto vale trazer as palavras do apresentador Waguinho na última terça-feira (dia 28), no Programa Tamo Junto, da Rádio Tupi: “Além de sair pela porta da frente da delegacia, o bandido é liberado antes dos policiais que o prenderam”. Se o saudoso Wagner Montes estivesse vivendo tudo isso certamente estaria indignado com todos esses golpes que a polícia vem sofrendo há anos. Tal pai, tal filho! Ontem, na apresentação do Programa A Voz do Rio, o telejornal local da Band TV, Waguinho soltou que a culpa dessa situação é da classe política. 

Criaram as audiências de custódia que prima pelo “direito dos manos” e que busca motivos para que o autuado seja colocado em liberdade. Subvertem os princípios jurídicos penais e se autointitulam garantistas, distorcendo as ideias de Luigi Ferrajoli – pai do Garantismo Penal, que nasceu justamente para se contrapor ao abolicionismo penal. 

Não precisa ser especialista em segurança pública para saber que todas essas medidas só agravam a criminalidade. A população sente o impacto no aumento do exército de criminosos nas ruas. Explodiu o roubo de celulares e a cúpula das facções já determinou que os delinquentes matem suas vítimas, se for necessário – seja pai, filho ou mãe de família.

Obrigaram os policiais a utilizarem câmeras e procuram limitar as excludentes de ilicitude como a legítima defesa e o estrito cumprimento do dever legal. Proibiram os policiais de abordarem os menores de idade, os moradores de rua etc – tudo isso conspirando para o engessamento da atividade policial.

Entretanto, dentre todos os fatores e ações adotadas pelo poder público que patrocinam o caos social – uma medida merece destaque, pois é o grande divisor de águas. Foi quem criou deliberadamente o território das organizações criminosas em que o Estado não entra. Estamos falando da ADPF 635 em que o Ministro Fachin proibiu as operações policiais nas comunidades.

Uma aberração que foi criada para perdurar apenas durante a pandemia, vem sendo perpetuada pelo STF até os dias de hoje.

O fato é que a ADPF 635 foi quem abriu caminho para que se construíssem barricadas de concreto, limitando onde começa o território das facções e que o Estado está proibido de entrar. Hoje essas organizações criminosas exploram o gás, a luz, a TV à cabo, o ponto de comércio, o aluguel, o mototáxi e tudo mais. O tráfico de drogas deixou de ser a atividade mais lucrativa. Eles viraram uma potência financeira e investiram bem em material bélico.

As comunidades do Rio passaram a ser um hotel a céu aberto para todos os procurados do Brasil que para lá fugiram e de lá não saem, há anos.

É nesse momento que os especialistas saem em defesa do Governador Cláudio Castro. Quem procura culpa no governo do estado está buscando cabelo em ovo. Noutro dia o próprio Governador disse que para realizar uma operação policial deve avisar com um dia de antecedência, pelo menos, a mais de dez órgãos públicos. Onde está o sigilo da operação?

Agora a cereja do bolo – a concretização daquilo que a sociedade mais temia: a aliança formada entre as duas organizações criminosas mais poderosas no comando do Brasil.    

Os setores de inteligência das secretarias de segurança pública e administração penitenciária de diversos estados da Federação estão atentas para a aliança que começa a transparecer entre o PCC e o CV.

Já se tinha notícias dessa união visando juntar esforços para a entrada de drogas no território nacional. Agora, 37 detentos do PCC pediram transferência para presídios dominados pelo Comando Vermelho.

Entramos numa nova era da criminalidade.

Carlos Fernando Maggiolo

Advogado criminalista e professor de Direito Penal. Crítico político e de segurança pública. Presidente da Associação dos Motociclistas do Estado do Rio de Janeiro – AMO-RJ. 

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