Desembargador, cujo filho atuou no ‘golpe político’ em CG, recebe sanção do CNJ
27/04/2016 às 00:02 Ler na área do assinanteO ‘Golpe Político’ perpetrado em Campo Grande, desvendado pela Operação Coffee Break do Gaeco, prestes a ser denunciado pela Procuradoria Geral de Justiça, que envolveu vereadores, empresários, o ex-governador André Puccinelli, o ex-prefeito Nelsinho Trad, o gangster João Amorim e os filhos de desembargadores, uma horda que foi tratada pela polícia como ‘organização criminosa’, penalizou a população, destruiu a cidade e afrontou os mais elementares princípios democráticos, afastando do cargo um prefeito democraticamente eleito, através de um processo fraudulento, manipulado e comprado a peso de ouro.
O grupo, até ser afastado pela Justiça, dilapidou os cofres públicos e praticamente destruiu Campo Grande.
Uma história que ainda não foi encerrada. Muito pelo contrário, pois até o momento ninguém foi punido.
De qualquer forma, gradativamente as máscaras vão caindo e os personagens vão se revelando.
Nesta terça-feira (26), o plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou o vice-presidente do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS), desembargador Pascoal Carmello Leandro, do Setor de Precatórios da Corte.
Por nove votos a seis, a maioria acompanhou a corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi.
Para Nancy Andrighi, há ‘absoluta incompatibilidade dos fatos averiguados com o exercício do cargo ocupado pelo reclamado’, o que torna necessário seu afastamento da função administrativa.
No TJ/MS, o Setor de Precatórios está vinculado à vice-presidência.
Correição realizada entre 28 de julho e 1º de agosto de 2014 identificou a autorização irregular, por parte do desembargador Carmello Leandro, para o pagamento no valor de R$ 168.019,62 à empresa que seria alheia a um processo de Precatório Requisitório.
Também se constatou a existência de erros de cálculos nos precatórios, derivados do anatocismo (juros sobre juros), e aplicação de juros compensatórios em período posterior à expedição.
Além disso, foram encontrados fortes indícios de favorecimento no pagamento dos precatórios, já que alguns ‘privilegiados’ credores receberam quase a totalidade do seu direito, enquanto alguns outros nada.
Uma conduta, no mínimo, extremamente suspeita, daí o afastamento do desembargador pelo CNJ.
O desembargador é pai do advogado Fabio de Castro Leandro, que é sócio do filho do ex-governador André Puccinelli e foi secretário municipal na nefasta gestão do pastor Gilmar Olarte.
Por outro lado, o mesmo Pascoal Carmelo Leandro, há poucos dias, surpreendeu arquivando um processo de pedofilia, carreado de provas. O crime foi praticado por um conhecido e abastado empresário de Mato Grosso do Sul do ramo de frigorífico (veja aqui). Em diversas megafestas promovidas pelo dito cujo, o desembargador se fez presente, sempre alegre, faceiro e sorridente.
É de se lamentar...
da Redação
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