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Lula já está com um pé na cadeia (?!)
Com a prisão de Delcídio do Amaral; o Planalto e o PT tremem
25/11/2015 às 14:39 Ler na área do assinante
Delcídio do Amaral, senador pelo PT e líder do Governo no Senado Federal, foi preso nesta manhã (25) em sua residência no Distrito Federal. O pedido da prisão temporária partiu da Polícia Federal junto a Procuradoria-geral da República e foi autorizada pelo Ministro do STF, Teori Zavascki.
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A notícia pega de surpresa a todos, especialmente o Governo Dilma, que já articula a indicação de um substituto à altura de Delcídio.
A motivação do pedido de prisão teria sido a descoberta de novas provas de que Delcídio vinha, nos bastidores, atrapalhando as investigações da Operação Lava-jato – obstrução da justiça – para esquivar-se de envolvimento nos fatos criminosos. Foi revelado que o senador teria oferecido vantagens a Nestor Cerveró, antes de sua prisão, tais como, condições para fugir do Brasil para a Espanha, além de, garantir-lhe uma mesada de R$ 50 mil mensais, a fim de que Cerveró não aceitasse a Delação Premiada – uma possibilidade iminente à época – e, principalmente, não citasse o seu nome nas oitivas junto a PF e ao Juiz Sérgio Moro.
Segundo a imprensa, o filho de Cerveró teria gravado uma ligação telefônica de Delcídio ao seu pai, quando fez a oferta de ajuda de fuga e compensação financeira em troca do silencio.
Certamente, para os anti-petistas, a notícia mais esperada é que as investigações da PF, finalmente comprovem a participação do ex-presidente Lula no esquema criminoso que envolve o Mensalão e o Petrolão, e sabe-se lá o que mais se tem pela frente, e o leve para a prisão, condenado. Mas não é isso que está acontecendo. Até o momento nem a PF nem a PGR, vislumbrou qualquer indício de que Lula tenha participação nos crimes perpetrados por partidos políticos, parlamentares, empresários e doleiros-operadores.
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Ainda ontem, a mídia revelava a declaração do juiz Sérgio Moro de que inexistem – até aqui – elementos que possam sugerir a participação de Lula nos atos criminosos; segundo Moro, há fatos que sugerem que o nome de Lula tenha sido usado sem o seu conhecimento. A afirmação deu-se logo após a prisão de Bumlai, agropecuarista amigo próximo do ex-presidente.
Ainda que pareça inverossímil, dados todos os fatos divulgados ao longo de anos, a Justiça e a polícia somente podem trabalhar com fatos provados ou, ao menos, com indícios robustos de cometimentos de crimes que recaiam sobre pessoa que esteja sob investigação ou sob suspeitas insuperáveis.
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Lula seria essa pessoa isenta e de inabalável retidão? É a resposta que os brasileiros querem receber.
Outros fatos que considero relevantes é que, Delcídio do Amaral foi Ministro das Minas e Energia no governo Itamar Franco (1994-1995) e Diretor da Divisão de Gás e Energia da Petrobrás durante o governo Fernando Henrique Cardoso (2000-2001), quando ainda era filiado ao PSDB. Esses fatos podem reforçar a tese de que o esquema criminoso que atingiu fortemente a Petrobras precede a era Lula; essa é a percepção que o PT vem há tempos defendendo.
De toda sorte, a prisão do senador soma-se a gama de problemas que Dilma Rousseff tem de enfrentar e que atrapalham sobremaneira a governança do país. A presidente, cada vez mais enfraquecida, perde uma peça-chave no tabuleiro das interlocuções políticas. Delcídio, que veio do PSDB para o PT, sempre foi bastante eficiente na defesa dos interesses do governo devido ao seu bom trânsito entre os mais importantes partidos políticos e parlamentares de diversos matizes. Agora preso e sob a pressão de fortes indícios de conduta criminosa, ainda que, vencido o prazo da prisão temporária e se veja solto, dificilmente Delcídio recuperará a sua posição de confiança junto ao governo. Ainda que Dilma e o PT tentem a velha tática de proteger os seus e resolva incluir no rol dos “Guerreiros do Brasil” a figura de Delcídio, o Planalto dificilmente conseguirá, neste momento, fechar a fenda profunda que se abriu com a sua prisão.
De uma coisa eu tenho certeza: como tantos brasileiros, petistas ou não, eu jamais colocaria a minha mão no fogo por Luiz Inácio Lula da Silva.
JM Almeida
JM Almeida
João Maurino de Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas.